Pinacoteca do Estado recebe exposição em homenagem a Almira Costa
Mostra 'Fios de Memória' celebra o centenário da artesã paraibana radicada em Natal, reunindo um acervo de crochê produzido ao longo de cinco décadas.

A Pinacoteca do Estado do Rio Grande do Norte inaugura nesta sexta-feira (1º) a exposição "Fios de Memória", evento concebido para celebrar o centenário de nascimento de Almira Costa de Oliveira. A mostra reúne dezenas de peças confeccionadas ao longo de aproximadamente cinquenta anos de dedicação ao trabalho manual, além de fotografias, documentos e objetos pessoais que reconstituem a trajetória da artesã na capital potiguar.
Nascida na Paraíba, Almira migrou para Natal em 1959 em decorrência dos efeitos da seca, fixando residência no bairro das Quintas. Ao lado do marido, Sebastião Manoel de Oliveira, com quem permaneceu casada por 75 anos, ela criou a família e integrou atividades cotidianas à produção artesanal, transformando linhas em colchas, toalhas e enxovais que permaneceram guardados pela família por anos.
A curadoria da exposição, assinada pela jornalista Mônica Costa e pela arquiteta Luanda Oliveira, filha e neta da homenageada, propõe a leitura do crochê não apenas como atividade doméstica, mas como uma linguagem artística e patrimônio cultural. O projeto busca evidenciar o papel do trabalho feminino na preservação de saberes tradicionais e na construção da memória coletiva de mulheres que migraram e sustentaram suas famílias.
O processo de catalogação do acervo permitiu à família observar a evolução técnica e estética das peças ao longo do tempo. A obra mais antiga da mostra consiste em uma colcha produzida em 1969, servindo como marco cronológico para acompanhar as transformações nos pontos e nas linhas utilizadas por Almira, cujas criações raramente eram comercializadas devido ao valor afetivo atribuído a cada item.
Além da produção artesanal, a exposição aborda temas como migração, maternidade e empreendedorismo feminino, conectando a história pessoal da artesã à realidade de milhares de mulheres brasileiras. A visitação pública na Pinacoteca do Estado passa a integrar o calendário cultural potiguar, oferecendo ao público um panorama da produção artística e afetiva desenvolvida no âmbito doméstico.
Com informações de saibamais


