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Política

Governo Lula repudia decisão dos EUA em prorrogar sanções e diz ser 'descabido' caracterizar Brasil como ameaça

G1 — Política·29 de julho de 2026·2 min de leitura
Governo Lula repudia decisão dos EUA em prorrogar sanções e diz ser 'descabido' caracterizar Brasil como ameaça

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quarta-feira (29) que é "descabido caracterizar o Brasil como ameaça aos Estados Unidos", após o país prorrogar as sanções para o Brasil.

"O Governo brasileiro repudia o anúncio feito pelo Governo dos Estados Unidos da prorrogação por mais um ano da declaração de emergência nacional em relação ao Brasil. [...] A qualquer título, é inteiramente descabido caracterizar o Brasil como ameaça aos Estados Unidos, especialmente à luz dos históricos laços diplomáticos e da amizade que une os dois povos".

O anúncio desta terça, porém, não tem efeito prático com relação ao tarifaço. Isso porque a medida de 2025, que impunha uma tarifa de 50% sobre os produtos importados do Brasil, acabou derrubada pela Suprema Corte.

Conforme a nota divulgada nesta quarta-feira, a decisão do governo americano reitera argumentos “infundados” e “inverídicos” de que o Brasil representa “ameaça” aos Estados unidos na segurança nacional, na política externa e na economia.

Os Estados Unidos afirmam, por exemplo, que o Brasil adota medidas que representam violação do direito de liberdade de expressão; que há censura por parte do Supremo Tribunal Federal; e que há perseguição da Justiça contra “um ex-presidente” - em referência a Jair Bolsonaro.

“Ao rechaçar a retomada de acusações sem qualquer fundamentação nos fatos e já amplamente rebatidas em encontros de autoridades dos dois países, o Brasil reafirma sua soberania e a independência dos poderes da União”, afirmou o Planalto.

“O Poder Judiciário brasileiro pauta sua atuação pelo fiel cumprimento dos preceitos da Constituição”, reiterou o governo.

No ano passado, quando endereçou uma carta ao presidente Lula, Donald Trump mencionou o que entendia ser uma “caça às bruxas” no processo ao qual Bolsonaro respondeu e pelo qual foi condenado pelo STF por envolvimento numa tentativa de golpe de Estado, tese rechaçada pelo governo e pelo próprio Supremo.

“A qualquer título, é inteiramente descabido caracterizar o Brasil como ameaça aos Estados Unidos, especialmente à luz dos históricos laços diplomáticos e da amizade que une os dois povos”, concluiu a Presidência da República.

Os presidentes dos EUA, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), falam a jornalistas antes de reunião em Kuala Lumpur. — Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

Acusações contra o governo brasileiro

No comunicado desta terça, o governo Trump voltou a fazer uma série de acusações contra o governo brasileiro.

A Casa Branca alega que o Brasil adota práticas que "interferem na economia dos Estados Unidos, infringem os direitos de livre expressão de cidadãos norte-americanos, violam os direitos humanos e minam o interesse dos EUA em proteger seus cidadãos e empresas".

Além disso, os EUA acusam membros do governo brasileiro de "perseguir politicamente um ex-presidente, sua família e seus apoiadores", em uma referência a Jair Bolsonaro e cita o STF como "promotor de censura", menciona "prisão de pessoas que exercem a liberdade de expressão" e "censura de conteúdos na internet".

Com informações de g1.globo

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