Disputa global por Inteligência Artificial impacta estratégias digitais no Brasil
Iniciativas de EUA e China sobre governança de IA divergem entre modelos de acesso restrito e código aberto, influenciando políticas de soberania digital.

A corrida global pela liderança no setor de Inteligência Artificial (IA) tem colocado Estados Unidos e China em polos opostos, com reflexos diretos na forma como diferentes nações planejam sua infraestrutura tecnológica. Enquanto a iniciativa norte-americana, denominada Pax Silica, foca na criação de uma rede de países aliados para controlar cadeias de suprimentos e insumos críticos, a China promove a Organização Mundial de Cooperação em IA (Waico), focada em modelos de código aberto.
A proposta liderada por Washington busca consolidar uma ordem econômica que garanta segurança e investimentos conjuntos entre nações alinhadas à Casa Branca. Especialistas alertam, contudo, que esse modelo pode gerar dependência tecnológica, deixando países fora da aliança vulneráveis a decisões unilaterais que poderiam interromper o acesso a ferramentas essenciais para a economia nacional.
Em contrapartida, a iniciativa chinesa, sediada em Xangai, defende que a tecnologia deve ser tratada como um bem comum, permitindo que qualquer organização possa estudar, modificar e redistribuir os códigos. O governo brasileiro, ao integrar a Waico, tem sinalizado a busca por um caminho de neutralidade, defendendo que o país não deve se vincular exclusivamente a um único modelo para garantir sua soberania digital.
Apesar da abertura proposta pelo modelo chinês, especialistas como o professor Sérgio Amadeu da Silveira ressaltam que a simples adesão a acordos internacionais não basta. Para que o Brasil e outros países do Sul Global possam, de fato, se beneficiar dessas tecnologias, é necessário o desenvolvimento de infraestrutura local capaz de processar e aplicar a IA de forma autônoma.
Com informações de tribunadonorte

